Doramas: Quando a Ficção Cura a Alma e Aproxima Mãe e Filha
Como os doramas coreanos se tornaram refúgio emocional durante a pandemia e criaram laços especiais com minha filha Anelise. Uma história sobre conexão, esperança e a pureza da ficção.

Hoje vou compartilhar algo muito especial comigo: minha paixão por doramas coreanos. Sim, vocês leram direito! Aos 60 anos, descobri um universo inteiro que não só me entretém, mas que aquece meu coração, me faz sonhar e, mais importante ainda, me conecta profundamente com minha filha caçula, Anelise.

E tudo começou no momento mais improvável possível: no meio da pandemia de 2020.

2020: Quando o Mundo Parou e Eu Descobri os Doramas

Lembram de 2020? Aquele ano que parecia não ter fim? O mundo parado, as notícias assustadoras, o isolamento, a sensação de impotência… Eu estava sensível, assustada, perdida. Passava os dias tentando manter a rotina, mas o coração estava apertado.

Foi aí que a Anelise, preocupada com meu estado emocional, me ligou do Japão (onde ela mora) e disse:

Mãe, você precisa assistir uma coisa comigo. Vai nos fazer bem. Confia em mim.

Eu, sempre aberta às sugestões dos meus filhos (mesmo quando não entendo nada), perguntei: “O que é, filha?”

Um dorama coreano, mãe. Chama “Pousando no Amor”. A gente assiste juntas, cada uma na sua casa, mas ao mesmo tempo. E conversamos depois.

Confesso que torci o nariz no começo. “Dorama? Isso não é aquelas novelinhas coreanas que passam na TV?” Mas aceitei. Por ela. Para nos conectarmos mesmo estando a milhares de quilômetros de distância.

E gente… minha vida mudou.

“Pousando no Amor”: O Dorama Que Nos Fez Chorar Por Mais de Um Mês

Começamos a assistir “Pousando no Amor” (Crash Landing on You) juntas, mesmo que virtualmente. Eu aqui em Belo Horizonte, ela lá no Japão. A gente sincronizava os episódios, assistia, e depois conversava por WhatsApp — mensagens longas, áudios chorosos, figurinhas expressando nossos sentimentos.

A história: Uma empresária sul-coreana sofre um acidente de parapente e cai na Coreia do Norte. Lá, ela é encontrada por um oficial do exército norte-coreano que decide protegê-la. É sobre impossibilidades, sobre amor que supera fronteiras, sobre esperança em meio ao caos.

E nós? Nós choramos LITROS. Não estou exagerando. Choramos em quase todos os episódios. Ficamos sentidas por mais de um mês. Eu acordava pensando nos personagens. Sonhava com eles. Ria sozinha lembrando de alguma cena. E chorava… ah, como chorava!

Mas sabe o que era aquele choro? Era catarse. Era liberação. Estávamos sensíveis por tudo — pela pandemia, pelo medo, pela incerteza, pela distância. E aquele dorama nos deu permissão para sentir, para chorar, para sonhar, para acreditar que o amor e a bondade vencem.

A Pureza da Ficção: Por Que os Doramas Nos Fazem Bem

Depois de “Pousando no Amor”, não paramos mais. Eu e a Anelise assistimos dezenas de doramas juntas (virtualmente). Hoje, temos três plataformas de streaming só para isso: Netflix, Viki e Prime Video. Sim, três! (Rúben ri e diz: “Berta, você virou adolescente!”)

E sabe por que continuamos? Porque os doramas nos fazem bem. De um jeito que é difícil explicar, mas vou tentar:

1. A Pureza do Romance

Nos doramas, o romance é construído devagar, com delicadeza. Não é só atração física (que muitas vezes nem beijo tem nos primeiros 10 episódios!). É sobre conexão de almas, respeito, cuidado, admiração. É sobre olhares que dizem mais que palavras.

Aos 60 anos, revivi aquele sentimento de “primeiro amor” através das telas. Aquela borboleta no estômago, aquela torcida para os personagens ficarem juntos… É pureza. É inocência. E nos dias de hoje, isso é raro e precioso.

2. Histórias de Superação e Esperança

Quase todo dorama tem um elemento de superação: personagens que enfrentam dificuldades, traumas, perdas, mas que não desistem. Que encontram forças, que se apoiam uns nos outros, que acreditam em dias melhores.

Para mim, em 2020, isso foi um bálsamo. Ver personagens enfrentando o impossível e vencendo me dava esperança. Me fazia acreditar que a gente também ia superar aquele momento difícil.

3. A Cultura da Bondade

Nos doramas, até os personagens secundários têm profundidade. Tem sempre aquele amigo fiel, aquela avó sábia, aquele vizinho solidário. A bondade é celebrada, não ridicularizada. Ser gentil não é fraqueza, é força.

E isso me toca profundamente. Vivemos num mundo tão áspero, tão cínico… Os doramas me lembram que a bondade ainda existe. E que vale a pena sermos pessoas boas.

4. Beleza Visual e Sonora

Gente, os doramas são visualmente lindos! As paisagens, os figurinos, a fotografia, a trilha sonora… Tudo é caprichado. É arte! Assistir um dorama é uma experiência estética completa.

E a trilha sonora? Ai, meu Deus! Eu tenho playlists inteiras de OSTs (Original Soundtracks) de doramas. Ouço enquanto cozinho, enquanto escrevo, enquanto caminho. São músicas que carregam as emoções das histórias.

Minha Rotina Noturna: O Ritual Sagrado dos Doramas

Hoje, toda noite, depois de todos os afazeres do dia — cozinhar, escrever para o blog, responder mensagens, cuidar da casa —, eu tenho meu momento sagrado: assistir doramas.

É meu momento de desacelerar, de sair da realidade, de mergulhar em outras histórias, outras culturas, outras emoções.

Minha rotina é assim:

21h30: Termino tudo que preciso fazer
22h: Preparo meu chá (geralmente camomila ou erva-doce)
22h15: Me aconchego no sofá com uma manta
22h20: Aperto o play
23h30-00h: Vou dormir com o coração quentinho

Rúben às vezes assiste comigo (ele gosta dos históricos e dos de ação), mas na maioria das vezes é meu momento solo. E está tudo bem. A gente precisa de momentos só nossos, né?

O Laço Especial Com a Anelise

O que os doramas me deram de mais precioso foi a conexão renovada com minha filha.

A Anelise mora no Japão. São 12 horas de diferença. Nossa rotina é completamente diferente. Às vezes, passamos dias sem conseguir conversar direito.

Mas os doramas? Os doramas são nosso ponto de encontro.

A gente combina qual vamos assistir. Sincronizamos (mais ou menos). E depois, conversamos — longamente, profundamente. Não é só sobre o dorama. É sobre nós. Sobre sentimentos. Sobre a vida.

Outro dia, a Anelise me disse: “Mãe, os doramas me aproximaram de você de um jeito que eu nunca imaginei. A gente se entende melhor agora.”

Eu chorei. Porque é verdade. Através da ficção, nos conectamos na realidade.

Nossas Três Plataformas de Streaming (E Por Que Precisamos de Três!)

Sim, temos três assinaturas de streaming só para doramas. E não, não é exagero! (risos)

Netflix

Tem os doramas mais populares e recentes. É onde assistimos “Pousando no Amor”, “It’s Okay to Not Be Okay”, “Hometown Cha-Cha-Cha”, e tantos outros.

Viki

Essa é A plataforma de doramas! Tem um catálogo imenso, incluindo os mais antigos e os menos conhecidos. Além disso, tem as legendas feitas por fãs, que são detalhadas e explicam referências culturais. É um aprendizado constante!

Prime Video

Tem alguns exclusivos e também doramas tailandeses (que descobrimos recentemente e estamos amando!).

Por que três? Porque cada plataforma tem exclusividades. E porque doramas viraram tão importantes para nós que vale cada centavo. É terapia. É conexão. É alegria.


Ficção Que Cura: A Reflexão Mais Profunda

Vocês podem pensar: “Berta, mas é só ficção, não é real.”

E eu respondo: Exatamente por ser ficção, cura.

Nos doramas, o bem vence. Sempre. Pode demorar, pode doer, pode parecer impossível, mas no final, o amor vence o ódio, a esperança vence o desespero, a bondade vence a crueldade.

E nos dias de hoje, a gente precisa acreditar nisso.

Precisa acreditar que vale a pena ser gentil. Que vale a pena amar. Que vale a pena esperar. Que dias melhores virão.

Os doramas me lembram disso toda noite. São meu refúgio. Minha esperança em formato de 16 episódios.

E mesmo que seja ficção, os sentimentos que despertam em mim são reais. A alegria é real. As lágrimas são reais. A conexão com minha filha é real. A cura é real.


Meus Doramas Favoritos (E Por Que Vocês Devem Assistir!)

Se vocês, assim como eu há alguns anos, nunca assistiram um dorama, deixa eu recomendar alguns para começar:

1. Pousando no Amor (Crash Landing on You)

Por que assistir: Romance impossível, humor, emoção, amizade. Tem tudo! É perfeito para iniciantes.
Onde: Netflix
Aviso: Prepare os lenços!

2. It’s Okay to Not Be Okay

Por que assistir: Fala sobre saúde mental de forma linda e delicada. É sobre cura, aceitação e amor. Visualmente deslumbrante!
Onde: Netflix
Aviso: Vai mexer com seu emocional profundamente.

3. Hometown Cha-Cha-Cha

Por que assistir: Romance gostoso, cidade pequena, personagens adoráveis, humor. É tipo um abraço em forma de série.
Onde: Netflix
Aviso: Você vai querer morar naquela vila!

4. Goblin (Guardian: The Lonely and Great God)

Por que assistir: Fantasia, romance, amizade, destino. É épico, emocionante e lindo. Um dos mais clássicos!
Onde: Viki
Aviso: A trilha sonora vai grudar na sua cabeça.

5. Hospital Playlist

Por que assistir: Sobre amizade, trabalho, vida, amor. É real, humano, comovente. Não é só romance, é sobre conexões humanas.
Onde: Netflix
Aviso: Você vai se apegar aos personagens como se fossem sua família.


O Que Aprendi Com os Doramas (E Com a Anelise)

Nessa jornada de quase 5 anos assistindo doramas, aprendi tanto:

Nunca é tarde para descobrir novas paixões — Aos 60, me apaixonei por uma cultura completamente diferente da minha
Ficção não é fuga, é cura — Ela nos ajuda a processar emoções, a sonhar, a acreditar
Conexões importam — Compartilhar algo que amamos com quem amamos fortalece laços
Pureza ainda existe — Mesmo que só na ficção, ela nos lembra que vale a pena buscá-la na realidade
Chorar faz bem — E os doramas me deram permissão para chorar, rir, sentir intensamente

Meu Convite Para Vocês

Se vocês estão passando por um momento difícil, se sentem sozinhos, se precisam de esperança… Experimentem assistir um dorama.

Pode parecer bobo. Pode parecer que é “só uma novelinha”. Mas não é. É arte. É emoção. É conexão.

E se tiverem alguém especial na vida de vocês — filho, filha, amigo, parceiro — convidem para assistir junto. Mesmo que cada um na sua casa. Compartilhem essa experiência.

Porque no final, é sobre isso: compartilhar histórias, dividir emoções, criar memórias.


Meu Ritual Sagrado

Então, sim. Toda noite, depois de todos os afazeres, eu assisto meus doramas. E não me sinto culpada. Não acho que é perder tempo. É meu momento de cuidado comigo mesma. É minha terapia de graça. É minha conexão com a Anelise, mesmo que ela esteja dormindo do outro lado do mundo.

É meu refúgio. Minha alegria. Minha esperança.

E aos 60 anos, descobri que nunca é tarde para encontrar algo que faça seu coração sorrir.


Gente, eu sei que esse artigo foi diferente. Mais pessoal, mais vulnerável, mais emocional. Mas senti que precisava compartilhar isso com vocês.

Os doramas me salvaram em 2020. E continuam me salvando todos os dias. Porque eles me lembram que a vida pode ser bela, que o amor existe, que vale a pena sonhar.

E vocês? Já assistiram algum dorama? Têm alguma ficção que os ajudou em momentos difíceis? Me contem! Quero muito saber!

E se nunca assistiram, eu convido: deem uma chance. Comecem por “Pousando no Amor”. E me digam depois como foi. Prometo que vou responder cada mensagem!

Com o coração cheio de histórias (reais e fictícias),
Berta Cortéz 🌸💕


P.S.: Anelise, minha filha, se você está lendo isso: obrigada por me apresentar esse universo. Obrigada por assistir comigo. Obrigada por me entender. Te amo até a Coreia e de volta! 사랑해! 💛

P.P.S.: Para quem ficou curioso: os próximos doramas na minha fila são “Queen of Tears” (que dizem ser de chorar muito!) e “Lovely Runner” (que a Anelise já assistiu e recomendou). Vamos ver se sobrevivo! (risos)

Berta Cortéz

Jornalista, escritora, mãe, avó, esposa e eterna aprendiz da vida.

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